
Foto: Renato Mangolin
“aCORdo" surgiu quando Alice Ripoll foi convidada para participar com uma criação inédita da ocupação “Que Legado”, realizada no Castelinho do Flamengo, no Rio de Janeiro, de em 2017. O trabalho deveria dialogar com a indagação do que teria ficado como legado para a cidade após os grandes eventos que supostamente trariam melhorias para a vida dos cariocas, a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Sem responder literalmente à pergunta, a artista se propõe pensar a cidade na posição dos intérpretes com quem trabalha há oito anos. Eles são negros e moram em uma favela carioca.
No cerne do equilíbrio que protege o Rio de Janeiro do caos está a ação policial. Ela é um elemento fundamental para afastar dos ricos a violência de uma cidade de profundas desigualdades. O mais corriqueiro dos meios utilizados nas ações policiais é a revista, que serve para intimidar (sem porrada, ou não) a população mais pobre.
As pessoas que frequentam os teatros da cidade, transitam pelas praias, ou pelos shoppings, estão assim protegidas dos arrastões, ou do contato com os pobres, que intimidados pelas revistas e por outros mecanismos invisíveis, não ocupam a cidade, somente transitam entre as favelas. Para cada movimento das classes média ou alta pelo asfalto, ocorre uma revista no morro de morte matada. Alguém tem que fazer o serviço. A revista é uma fronteira, uma ação muro. A polícia faz.
Sem responder literalmente à pergunta, a artista se propõe pensar a cidade na posição dos intérpretes com quem trabalha há oito anos. Eles são negros e moram em uma favela carioca.
No cerne do equilíbrio que protege o Rio de Janeiro do caos está a ação policial. Ela é um elemento fundamental para afastar dos ricos a violência de uma cidade de profundas desigualdades. O mais corriqueiro dos meios utilizados nas ações policiais é a revista, que serve para intimidar (sem porrada, ou não) a população mais pobre.
As pessoas que frequentam os teatros da cidade, transitam pelas praias, ou pelos shoppings, estão assim protegidas dos arrastões, ou do contato com os pobres, que intimidados pelas revistas e por outros mecanismos invisíveis, não ocupam a cidade, somente transitam entre as favelas. Para cada movimento das classes média ou alta pelo asfalto, ocorre uma revista no morro de morte matada. Alguém tem que fazer o serviço. A revista é uma fronteira, uma ação muro. A polícia faz.
Dentro de uma sala fechada - o espaço restringido de liberdade, estão dispostas cadeiras encostadas nas paredes e quarto bailarinos uniformizados criam imagens e sensações cara a cara com o público, que experimenta, literalmente botando a mão na massa, ou nos bolsos, o que alguém está fazendo por ele enquanto está ali sentado.
Quem está roubando o que? De quem é o crime?
Aquele que é pedreiro, que vai à sua casa consertar o fogão, que está na sua universidade por uma firma terceirizada fazendo faxina, que lhe serviu café no foyer: ele é um cantor de rap, um poeta, ele sente ciúmes, ele fica preso no engarrafamento, ele morre de amor, ele faz dança contemporânea.
Aqui neste aCORdo ocupamos o corpo problematizando os contornos entre os estados de vigília, sonho, pensamento, ação e habitação (do corpo). Nesta nuvem de contornos turvos, sugerimos, através do movimento, uma nova zona entre o (espaço) público e o artista (privado) onde emergem outras possibilidades de ocupação dos espaços e corpos.
Reconquistamos zonas desérticas, colos inférteis, olhares insípidas. Ligamos lágrimas e joelhos, ciúmes e avenidas, lixão e mamãezinha, universidade e umbigo, nostalgia e lombalgia, as reminiscência das rugas na bunda do elefante. E o não se sentir bem andando por aqui.
A dança faz pontes misteriosas, imprevisíveis e fora da palavra, aí residem seu e o poder e capacidade de transformação.
Quem está roubando o que? De quem é o crime?
Aquele que é pedreiro, que vai à sua casa consertar o fogão, que está na sua universidade por uma firma terceirizada fazendo faxina, que lhe serviu café no foyer: ele é um cantor de rap, um poeta, ele sente ciúmes, ele fica preso no engarrafamento, ele morre de amor, ele faz dança contemporânea.
Aqui neste aCORdo ocupamos o corpo problematizando os contornos entre os estados de vigília, sonho, pensamento, ação e habitação (do corpo). Nesta nuvem de contornos turvos, sugerimos, através do movimento, uma nova zona entre o (espaço) público e o artista (privado) onde emergem outras possibilidades de ocupação dos espaços e corpos.
Reconquistamos zonas desérticas, colos inférteis, olhares insípidas. Ligamos lágrimas e joelhos, ciúmes e avenidas, lixão e mamãezinha, universidade e umbigo, nostalgia e lombalgia, as reminiscência das rugas na bunda do elefante. E o não se sentir bem andando por aqui.
A dança faz pontes misteriosas, imprevisíveis e fora da palavra, aí residem seu e o poder e capacidade de transformação.
Direção
Alice Ripoll
Intérpretes criadores
Alan Ferreira, Hiltinho Fantástico, Romulo Galvão, Tony Hewerton
Criação
Alan Ferreira, Leadro Coala, Romulo Galvão, Tony Hewerton
Assistente de Direção
Anita Tandeta
Alice Ripoll
Intérpretes criadores
Alan Ferreira, Hiltinho Fantástico, Romulo Galvão, Tony Hewerton
Criação
Alan Ferreira, Leadro Coala, Romulo Galvão, Tony Hewerton
Assistente de Direção
Anita Tandeta
Direção de produção
Natasha Corbelino | Corbelino Cultural
Produção
Thais Peixoto
Natasha Corbelino | Corbelino Cultural
Produção
Thais Peixoto
Fotos e vídeo
Renato Mangolin
Design gráfico
Daniel Kucera
Classificação
14 anos
Duração
30 minutos
Renato Mangolin
Design gráfico
Daniel Kucera
Classificação
14 anos
Duração
30 minutos
Fotos de cena
Por Bea Borges
Fotos artísticas
Por Renato Mangolin
Agenda 2026
Informações técnicas
A performance não utiliza som nem luz cênica, somente uma sala com cadeiras e uma porta.
A performance não utiliza som nem luz cênica, somente uma sala com cadeiras e uma porta.
Imprensa








